Após mais de uma semana mergulhados em um novo escândalo e a poucos dias das eleições, vale teorizar um pouco sobre os limites das ações no processo eleitoral. Como esse espaço trata de marketing político, é sob esse prisma que devemos abordar o assunto, com menos paixão e mais razão. O marketing político, ferramenta do processo eleitoral, é fundamental à legitimação da democracia. Não é onipotente e tem sim os seus princípios e ética.

Talvez, por não dedicarmos espaço suficiente à discussão da ética no processo eleitoral, é que quando fatos incômodos aparecem - como as recentes e passadas compras de dossiês, sejam lá de que lado partam -, tendemos a ficar quietos, porque o assunto é desconfortável e muitas vezes pára na explicação de que "os fins justificam os meios. Mas, será?

Toda vez que surge o tema sobre o que é permitido ou não no marketing político-eleitoral, têm-se o conceito de que se trata de um "vale-tudo". Ninguém é ingênuo ao imaginar que numa "guerra", como chamamos por analogia as eleições, distribua-se flores aos adversários, mas o "vale-tudo" pode muitas vezes custar caro. Se não o faz durante o processo eleitoral, pode fazê-lo mais tarde e até de forma dramática, como a história não nos cansa de mostrar. Antes de tudo, há que se pesar muito bem todas as variáveis.

Gosto muito de um texto do Prof. Cid Pacheco, intitulado "O que o maketing eleitoral pode e o que não pode", do qual extraio alguns pequenos trechos: "O Marketing político-eleitoral é uma ilha de controvérsias cercada de exageros por todos os lados. Por muita gente, ele é considerado um artifício onipotente, que anula os fatores políticos e reduz a quase nada a personalidade do eleitor; quem vota é sempre imaginado como um ser absolutamente frágil e indefeso. No extremo oposto do exagero, o Marketing é considerado técnica científica neutra, gravitando em torno de um eleitor absolutamente inconstante e todo-poderoso. A realidade se encontra no meio dessas duas posições. O Marketing eleitoral introduz uma parcela de racionalidade na administração dos processos político-eleitorais. Trata-se de uma técnica com possibilidades reais e com muitas limitações - ele pode uma porção de coisas e não pode outras tantas. (...) Outro equívoco a evitar é a idéia da sua onipotência. Devemos afastar essa idéia completamente. Marketing não é uma técnica de manipulação. Ele é, isto sim, uma arte de ajustamentos. Nós somos, a rigor, Engenheiros do Consentimento, como disse Ed. Bernays. Posso esclarecer esse conceito com uma expressão minha que o sumariza: "à revelia da predisposição, nenhuma manipulação prevalece." A discussão da manipulação é generalizada mas, na realidade, nós trabalhamos em cima de predisposições. É isso o que o Marketing faz."

Leiam, debatam, estudem. O marketing político requer essa dedicação. O texto completo "FUNDAMENTOS DO MARKETING ELEITORAL", do prof. Cid Pacheco, pode ser lido em seu site. Trata-se de uma compilação de várias aulas, palestras e conferências, que impressionam pela coerência, com especial destaque para os tópicos "O MAIOR INIMIGO DO CANDIDATO É O POLÍTICO" e "EXEMPLOS E ADVERTÊNCIA: COMO UMA ELEIÇÃO DEMOCRÁTICA PODE GERAR UMA DITADURA".
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