Em tempo...
Amanhã é primeiro de abril. Mas acho que este ano a data já foi bastante prejudicada, não é?.
Abraços,
PARA FINALIZAR A SEMANA
Numa semana que teve de tudo - de dança da pizza, até dança das cadeiras -, gostaria de terminar com um assunto bom.
Aqui vai, então, a dica sobre o Curso de Estratégia e Marketing Eleitoral para Jovens Candidatos, promovido pela Fundação Konrad Adenauer. A Fundação tem como principal objetivo o debate político e a promoção da democracia em todo o mundo.



08 e 22 de abril de 2006 - Hotel Novo Mundo - Rio de Janeiro

Informações completas no site do evento, clincando


"LEI ANTI-SHOWMÍCIO"
Há algumas semanas foram publicados neste blog vários questionamentos sobre as reformas da Lei eleitoral, batizada pelo jornalista Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo) de "Lei anti-showmício".
Enquanto fatos novos da política esquentam as páginas dos jornais, silenciosamente as propostas vão galgando as etapas para sua aprovação. As medidas nada efetivas, que supostamente serviriram para coibir o caixa 2 nas campanhas eleitorais, incluem a proibição de distribuição de brindes, camisetas, outdoor, realização de showmícios, entre outras perfumarias.
Dando andamento à discussão proposta aqui, segue no post abaixo, um texto de Carlos Manhanelli, trazendo uma visão muito interessante sobre esse assunto.

Comentários, críticas e sugestões sobre esse tema, podem ser enviados para gil@marketingpolitico.com.br.
Boa leitura!
O que vai sensibilizar o eleitor na decisão do voto?
(por Carlos Manhanelli)

Na Grécia antiga, os candidatos a qualquer cargo, mostrava-se em praça pública vestindo apenas uma toga e sem nenhum acessório que pudesse demonstrar seu poderio econômico. Os eleitores o julgavam por meio de palmas que sendo mais ou menos ruidosas, elegiam os candidatos. O que sensibilizava o eleitor nesta modalidade de votação eram as cicatrizes de guerra. Quanto mais e maiores as cicatrizes, mais os eleitores se dispunham a votar no candidato.
O que levaria um eleitor brasileiro neste atual momento político a votar neste ou naquele candidato?
O voto hoje no Brasil, passa por vários fatores que colaboram com a sensibilização dos eleitores a favor de qualquer candidato, principalmente em cargos proporcionais (deputados federais e estaduais).
Apenas os apelos da propaganda e da comunicação, não são suficientes para que o eleitor se decida a favor do candidato. É preciso mais.
Hoje, fatores como religião, profissão, conhecimento, amizades e por ultimo as propostas, que devem ser condizentes com os desejos, necessidades e anseios da população, estão tendo maiores pesos na sensibilização do eleitor proporcional.
Temos ainda as campanhas majoritárias que detem um grau de atenção bem maior que as campanhas proporcionais, jogando estas a segundo plano na mente da população.
Os deputados que estão no poder sabem que o grau de conhecimento de seus nomes é bastante alto pela exposição na mídia nacional e local e sabem que este é um dos fatores de sensibilização. Por essa razão, e usando como desculpa a “diminuição dos custos de campanha”, estão tentando a todo custo passar uma lei casuística que proíba brindes, bandeiras, camisetas, showmícios e outdoors que poderiam ajudar os novos candidatos com pouca ou nenhuma exposição na mídia, a aparecer e ser conhecido do eleitorado.
A TV e o rádio nas campanhas eleitorais proporcionais são válidos apenas para candidatos conhecidos, pois o tempo de exposição é mínimo e, pelo número excessivo de candidatos que aparecem na mesma hora, é impossível alguém se destacar e ser lembrado pelos eleitores, a não ser aqueles que já se tornaram populares.
O que fazer?
A saída mais próxima é a sensibilização dos lideres de segmentos que possam convencer seus liderados a votar no candidato. Ligado a isso, muito sapato terá que ser gasto para falar diretamente com o eleitor e muita saliva terá que ser usada, pois com o descrédito que a classe política chegou, só um forte esquema de corpo a corpo poderá trazer votos para os candidatos a mandato proporcional.
A luta é desigual. Os deputados existentes não querem sair do posto de jeito nenhum e tudo fazem para isso. As novas lideranças tentam mostrar seus programas, ideologias e postura e são barrados pela legislação.
A renovação fica cada dia mais difícil, e se for aprovada esta lei que proíbe até outdoor, não apenas o voto será secreto, mas os candidatos também.

* Manhanelli é presidente da Abcop – Associação Brasileira dos Consultores Políticos, autor de seis livros sobre o assunto entre eles “Estratégias Eleitorais”, Eleição é Guerra” e “Marketing Pós-Eleitoral”, todos pela editora Summus
ARTIGO NOVO
Diante de toda a afronta ao nosso Estado de Direito resolvi utilizar este espaço para postar um texto que exprime tudo o que gostaria de ter escrito sobre o assunto Nildo, Palocci e Cia, o peso da palavra... Conforme prometi no post de ontem, publico agora o artigo de Gaudêncio Torquato.
Torquato é cientista político, consultor de marketing político, autor de vários livros e vice-presidente da Abcop - Associação Brasileira de Consultores Políticos.
Espero que gostem.
Nildo versus Palocci
Por Gaudêncio Torquato

O que é um homem verídico? É um homem sem meandros, sincero ao mesmo tempo em sua vida e em suas palavras e que reconhece a existência de suas qualidades próprias, sem nada acrescentar a elas e sem nada delas subtrair, respondia Aristóteles em seu tratado de ética. Um homem sem curvas expressa sinceridade ao conferir força ao caráter das palavras. Já o caráter das palavras se espelha na riqueza de detalhes, nas minudências, esses pequenos arremates de idéias e lembranças que brotam, de maneira instintiva, das associações mentais de interlocutores em conversa aberta. Pois é esse mapa de respostas francas, circunstanciadas, minuciosas, que o caseiro Francenildo Costa Santos apresenta ao País, no mais contundente depoimento até agora dado sobre as andanças do poderoso ministro da Fazenda, Antônio Palocci, por uma casa de Brasília, onde a República de Ribeirão Preto teria montado esquema de recepção de dinheiro ilícito.
Nildo, como o caseiro é conhecido, veste por inteiro o figurino aristotélico quando rejeita enfeitar com adereços a história que conta. Quando diz “do lado dele, não sou nada”, arrematando que o ministro Palocci mente ao dizer que nunca freqüentou a casa do Lago Sul, o piauiense recorre à precária condição material para fazer contraponto a “quem é tudo”, buscando na grandeza moral de um homem pacato a base para construir uma teia de situações tão devastadoras quanto críveis: “o carro Peugeot prata, vidro escuro; jogando tênis com dr. Rogério e Rui, à tarde; tinha que chamar de chefe; pediu para desligar os sensores em volta da casa; nunca saiu cheque, só dinheiro.” O ministro Palocci nega ter ido à famosa mansão. E diz que o caseiro está mentindo.
Que razões teria o caseiro para mentir? O argumento de que os partidos de oposição se apóiam em denúncias bombásticas para fazer estragos eleitorais e atingir a imagem do candidato Lula não resiste à análise. Nos tempos de Collor, Eriberto França, motorista de Ana Acioli, secretária do presidente, confirmou que empresas de PC Farias faziam depósitos em contas fantasmas. O ambiente social era francamente favorável às oposições. Não é o caso de hoje. As artimanhas da situação ou oposição não passam ao largo de uma mídia vigilante e dos sistemas que controlam operações ilegais: Ministério Público, Polícia Federal e as próprias comissões parlamentares de inquérito. Houvesse sido cooptado, com dinheiro, emprego e vantagens, o caseiro Nildo seria fatalmente flagrado e seu logro reverteria em favor de Lula, com aplausos gerais para o ministro da Fazenda.
Fosse patranha, a versão de Francenildo Santos estaria, a esta altura, triturada. O motorista Francisco das Chagas Costa também confirmou ter encontrado por três vezes, pelo menos, o ministro na casa de nº 25, também conhecida por reunir recepcionistas agenciadas por Jeany Mary Corner. A versão do motorista também é negada. Por que Chagas iria mentir? Mas não é o próprio Palocci que tem versão contraditada? Negou ter viajado em jatinho do empresário Roberto Colnaghi para Brasília. Ante o desmentido do amigo de que ninguém pagou o aluguel do avião, o ministro reconheceu ter cometido “imprecisão terminológica”. Viajou.
Não é de hoje que se escreve a história com falsas versões. Confúcio (quem diria, hein?) falsificou um calendário histórico chinês alterando algumas palavras. O texto original dizia: “O senhor de Kun condenou à morte o filósofo por ter dito frito e cozido”. O sábio substituiu a expressão “condenou à morte” por “assassinou”. Lenin queria descrever a exploração e a opressão da Ilha Sakalina pela burguesia russa. Ameaçado pela polícia do czar, substituiu Rússia por Japão e Sakalina por Coréia. Os métodos burgueses japoneses lembravam os métodos burgueses russos. A subtração ou acréscimo nas letras da História tem sido um subterfúgio de homens que mexem com idéias para satisfazer o ego e preservar poder. O ministro Palocci tem o direito de se defender. Afinal de contas, trata-se do fiel escudeiro de um modelo econômico que agrada ao establishment. Defenestrá-lo do governo pode gerar tumultos inconvenientes. Mas a pergunta remanesce: e a democracia não tem de pagar um preço? A honra, a honestidade, a lisura não são valores inalienáveis do paradigma da administração pública?
O ministro Palocci esquece que, na esfera da política, há sempre um Marco Antônio à espreita de circunstâncias. O impetuoso general, na versão de Shakespeare, proferiu a oração fúnebre diante do corpo do amigo César. Com eloqüência repetia que o assassino Brutus era um homem honrado. Porém o que ficou na memória dos romanos foi a descrição bárbara do crime. Diz-se que Deus está nos detalhes. Os detalhes das versões que correm sobre a República de Ribeirão Preto são tantos que as insistentes negativas de Antônio Palocci acabarão no limbo. Alegar não saber dirigir em Brasília é balela. Quem tem boca vai a Roma. Pois foi usando a boca que este escriba, na direção de um carro alugado, descobriu, no meio da noite, no centro confuso de uma Roma desconhecida, um hotelzinho onde tinha reserva. As vielas eram tão estreitas que, por algumas vezes, perdido, só podia sair com carro de ré. Palocci tem de encarar a verdade.
PARA PENSAR...
Começo de semana agitado e vou postar apenas uma frase, dita pelo caseiro Francelino, ao saber da saída de Palocci do Ministério da Fezenda: "Ficou provado que o lado mais fraco não é o de um simples caseiro. É o da mentira".
Há que se pensar bastante sobre isso...
Amanhã, volto com um texto excelente de Gaudêncio Torquato.
Boa semana a todos!



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