MUDANÇAS NA LEI ELEITORAL
Texto da lei aprovado hoje no Congresso, manteve as proibições às camisetas e brindes, aos outdoors, showmícios, telemarketing, entre outras medidas. Do ponto-de-vista de coibição do caixa 2, as medidas não têm muito efeito, já que não permaneceu no texto a obrigatoriedade dos partidos em disponibilizar os gastos de campanha pela internet e reduziu-se a participação do TSE na fiscalização desses valores.
Para saber mais:
"CÂMARA APROVA TEXTO BÁSICO DE PROJETO DE LEI SOBRE GASTOS ELEITORAIS" - Notícia publicada no Portal Câmara dos Deputados -

"MEDIDAS ELEITORAIS: "Medida é epidérmica e não vai resolver nada." - Entrevista de Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, a Lillian Witte Fibe, do UOL News. Para assinantes UOL. Assista
LEI FALCÃO PÓS-MODERNA?
As reformas na Lei Eleitoral, com a finalidade de coibir o caixa 2 das campanhas ainda não está definida. Na última reunião da semana passada, ainda não havia consenso, por exemplo, sobre permitir ou não o uso de camisetas com mensagens de campanha. Outros temas, como limitar os programas de TV à produção em estúdio também são dúvidas. O único consenso até o momento é o de proibirem-se os showmícios.
Neste momento, as lideranças partidárias ainda devem estar reunidas no gabinete do Deputado Aldo Rebelo para ver se o final de semana ajudou a aclararem-se as idéias para que os parlamentares cheguem ao desfecho dessas e outras questões.
Então, eu pergunto: algum profissional de comunicação foi oficialmente consultado para explicar como funciona tudo isso? Alguém chegou a questionar que uma produção de TV tem o seu custo diretamente proporcional ao que o roteiro indica e não especificamente se foi feita dentro ou fora do estúdio? E a camiseta, então? Quer maior liberdade de expressão do que colocar no peito o que você pensa?
Também na semana passada, essa blogueira que vos fala chegou a mandar e-mails para os parlamentares, convocando-os a essa discussão, antes da aprovação da lei. A única resposta foi a da assessora do Deputado Chico Alencar, comunicando que repassaria o e-mail ao deputado. E só.
A Abap, por exemplo, colocou-se à disposição para explicar às CPIs como funciona a publicidade no Brasil. Será que chamaram a Abap para falar sobre o capítulo de propaganda eleitoral da nova Lei? Ou, porque a Abcop e outras entidades, também não foram consultadas sobre o assunto?
Meu protesto deve-se ao fato de que, em vez de resolverem-se os problemas de caixas 2, essas medidas ingênuas podem tornar-se somente a legitimação de um tipo de censura, camuflada de moralização. Há maneiras de se fazer campanhas mais baratas. Aliás, o brasileiro é famoso por sua criatividade, não é?
Lembram-se da "Lei Falcão"? A que na época da ditadura fazia o sujeito mostrar sua plataforma de governo e suas propostas através de uma foto, tipo 3 x 4, com o nome, número e o partido? Será que a gente quer isso de volta?
Então, vamos lá: salvem as camisetas!!
Gil Castillo (gil@tupycompany.com.br)
COMEÇANDO BEM A SEMANA...
Na sexta-feira, 03/02, o artigo "Marqueteiro: profissão perigo", do publicitário Lucas Pacheco, publicado no painel "Tendências/Debates", da Folha de São Paulo, abordou de forma muito honesta o que é o marketing político no Brasil e como nós, profissionais, precisamos trabalhar dura e seriamente como em qualquer profissão. Este artigo veio acrescentar um pouco mais de tempero ao assunto iniciado no post de 01/02, no qual falei sobre comunicação política, ilustrando com matérias sobre as mudanças na lei eleitoral e com o artigo do jornalista Fernando Rodrigues, também publicado na Folha de São Paulo, intitulado "Os Marqueteiros" (que não foi muito popular entre os profissionais de marketing político).
Como conseqüência, recebi entre os comentários, a participação de dois grandes profissionais: Carlos Manhanelli e Chico Santa Rita, colegas meus de Abcop - Associação Brasileira de Consultores Políticos (é isso aí: a gente também tem uma entidade de classe, como qualquer trabalhador!).
Ambos são pioneiros do marketing político brasileiro: Manhanelli, que atuou em diversas campanhas, desde 1974, é o atual presidente da Abcop e comenta o artigo de Lucas Pacheco. Já Chico Santa Rita, conhecido jornalista, publicitário e estrategista, autor do livro "Batalhas Eleitorais", faz correções históricas ao artigo de Fernando Rodrigues.
Os comentários, mais o link para o artigo de Lucas Pacheco, estão nos posts de hoje, abaixo. O link para o artigo de Fernando Rodrigues está no post de 01/02.
Uma ótima semana!
Gil Castillo (gil@tupycompany.com.br)
Comentário de Chico Santa Rita
"Gosto muito dessa atitude de não deixar passar artigos como o do F. Rodrigues sem dar a devida resposta.
De minha parte, quero fazer mais uma correção ao que ele escreveu. Diz ele no texto que o MKT político começou com Collor (e Duda) em l989. Ora, quem fez o segundo turno de Collor fui eu.
E o primeiro programa em que se adotou linha televisiva p/ o mkt político, que até hoje é imitada, foi o de Quércia, em 86, também dirigido por mim. Esse programa é uma referência no assunto.
Seria bom se essas informções também fossem passadas ao Fernando Rodrigues."
Comentário de Manhanelli
"A lucidez de Lucas Pacheco no artigo "Marqueteiro: profissão perigo" ("Tendências/Debates", 3/2) obriga-me a escrever para ratificar tudo o que o ilustre jornalista e publicitário escreveu. Fiz minha primeira campanha em 1974 e tenho sentido na pele a deformação efetuada pelas publicações "generalizantes", que colocam todos no mesmo saco. Reafirmo as palavras de Lucas Pacheco: "somos profissionais" e trabalhamos pela democratização de nosso país. Trabalhamos honestamente e, muitas vezes, por vários meses fora da cidade, do Estado ou do país. O marketing político eleitoral brasileiro, hoje, é matéria de exportação. É ciência e é assim que deve ser encarado, estudado e implementado."

"MARQUETEIRO: PROFISSÃO PERIGO" - Artigo de Lucas Pacheco, na Folha de São Paulo -




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